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GAD-7: como aplicar e interpretar a escala de ansiedade generalizada

Guia prático do GAD-7 (Spitzer et al., 2006): o que mede, tempo de aplicação, faixas de pontuação, limitações e como usar o modelo pronto no Okdocto.

4 min de leituraEquipe Okdocto

O que é

O GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder 7-item scale) é uma escala breve de autorrelato criada por Spitzer, Kroenke, Williams e Löwe (2006) para rastrear o transtorno de ansiedade generalizada e estimar a gravidade dos sintomas ansiosos. Nasceu do mesmo esforço que produziu o PHQ-9: oferecer aos serviços de atenção primária um instrumento curto, de domínio público, que pudesse ser aplicado em poucos minutos e repetido ao longo do tratamento.

Desde então, o GAD-7 se tornou um dos instrumentos mais usados no mundo para monitorar ansiedade, tanto em pesquisa quanto em clínicas de psicologia, psiquiatria e medicina de família. No Brasil, conta com tradução e estudos de validação para o português, o que permite seu uso com razoável segurança em adultos.

O que mede e como é composto

A escala pergunta com que frequência, nas últimas duas semanas, a pessoa foi incomodada por sete sintomas centrais da ansiedade generalizada: sensação de nervosismo, dificuldade de controlar a preocupação, preocupação excessiva com coisas diversas, dificuldade de relaxar, inquietação, irritabilidade e medo de que algo terrível aconteça.

Cada item é respondido em uma escala de quatro pontos, de 0 (nenhuma vez) a 3 (quase todos os dias). A soma dos sete itens produz um escore total de 0 a 21. Há ainda uma pergunta complementar, que não entra na pontuação, sobre quanto esses problemas dificultaram o trabalho, os cuidados domésticos e o convívio com outras pessoas. Essa pergunta é valiosa clinicamente porque diferencia sintomas presentes de sintomas que efetivamente prejudicam o funcionamento.

Embora tenha sido desenhado para o transtorno de ansiedade generalizada, estudos posteriores mostraram que o GAD-7 também tem bom desempenho como rastreio de transtorno do pânico, ansiedade social e transtorno de estresse pós-traumático, o que o torna útil como medida geral de sintomatologia ansiosa.

Aplicação

  • População: adultos; há evidências de uso em adolescentes a partir de 12 anos, com cautela.
  • Tempo: 2 a 3 minutos para responder, menos de 1 minuto para pontuar.
  • Formato: autorrelato. Pode ser preenchido na sala de espera, em papel, em tablet ou enviado antes da consulta.
  • Contexto: rastreio inicial, avaliação de linha de base e monitoramento repetido de resposta ao tratamento.

Ao entregar a escala, vale reforçar o período de referência (duas semanas) e explicar que não há respostas certas ou erradas. Em pessoas com dificuldade de leitura, o profissional pode ler os itens em voz alta sem alterar as âncoras de resposta.

Pontuação e interpretação

Os autores originais propuseram pontos de corte que se tornaram padrão:

  • 0 a 4: ansiedade mínima ou ausente.
  • 5 a 9: ansiedade leve.
  • 10 a 14: ansiedade moderada.
  • 15 a 21: ansiedade grave.

O ponto de corte de 10 é o mais usado para rastreio positivo. No estudo original, esse corte apresentou sensibilidade de 89% e especificidade de 82% para o transtorno de ansiedade generalizada. Isso significa que escores de 10 ou mais merecem avaliação clínica aprofundada, mas não equivalem a diagnóstico.

Para monitoramento, considera-se clinicamente relevante uma mudança de cerca de 4 pontos entre aplicações. Um paciente que sai de 16 para 11 melhorou de forma perceptível, mesmo ainda estando na faixa moderada. Essa leitura por trajetória, e não apenas por faixa, é o que torna o instrumento útil ao longo do tratamento.

Limitações e cuidados

O GAD-7 é um instrumento de rastreio, não de diagnóstico. Um escore alto indica a necessidade de entrevista clínica, e um escore baixo não exclui um transtorno de ansiedade, especialmente em pessoas que minimizam sintomas ou que apresentam ansiedade predominantemente somática.

Outros pontos de atenção:

  • Sintomas de ansiedade se sobrepõem a quadros depressivos, hipertireoidismo, uso de estimulantes e efeitos de medicação. O escore precisa ser lido junto com a história.
  • A janela de duas semanas captura o estado atual e pode ser influenciada por eventos pontuais (uma prova, uma perda, uma mudança de emprego).
  • Aplicações muito frequentes podem gerar respostas automáticas. Um intervalo de duas a quatro semanas entre reaplicações costuma equilibrar sensibilidade e fadiga.
  • Reproduzir o instrumento é permitido, pois ele é de domínio público, mas a redação dos itens não deve ser alterada, para preservar as propriedades psicométricas.

No Okdocto

O GAD-7 está disponível como modelo pronto na nossa biblioteca pública de documentos, na categoria Testes Clínicos. O modelo já vem com os sete itens, as quatro âncoras de resposta, a pergunta de prejuízo funcional e o campo de escore total, além dos metadados do instrumento: população, tempo de aplicação, referência e faixas de interpretação.

Ao instalar o modelo na sua instituição, os campos de identificação como {{PACIENTE_NOME}}, {{DATA_ATUAL}} e {{PROFISSIONAL_NOME}} são preenchidos automaticamente a partir do cadastro do atendido e da sessão, sem retrabalho. Cada aplicação fica registrada no prontuário eletrônico do paciente, o que permite acompanhar a trajetória do escore entre sessões e incluir os resultados nas evoluções e relatórios.

Veja o modelo em GAD-7 na biblioteca de modelos ou explore todos os instrumentos disponíveis na biblioteca de documentos.


Medir ansiedade em sete perguntas não substitui a escuta clínica, mas dá a ela um ponto de partida comum entre paciente e profissional. É essa combinação que faz diferença no cuidado.

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